O desafio da atenção plena

 

Quer conhecer uma atividade que poderá fortalecer sua concentração nos estudos? Pratique a atenção plena (mindfulness) . Uma das práticas que costumo fazer para ficar presente e exercitar essa capacidade da minha mente é a caminhada. Neste post vou compartilhar com vocês um desses meus dias de exercício da atenção plena, algo que poderá fortalecer o seu desempenho nos estudos e aumentar a sua performance na absorção do conteúdo! Isso colocará você no rol de 1% dos concurseiros que realmente conquistam a aprovação. 

Nesta semana eu resolvi ir andando para o trabalho, um verdadeiro exercício de atenção plena que me ajuda muito quando minha mente está barulhenta e agitada. 

Ir andando era algo que não fazia há muito tempo. Decidi também não caminhar ouvindo músicas ou podcasts, hábito que tenho quando vou andando para o trabalho. A ideia era estar presente para aquele momento.

Aliás, quantas vezes estamos em determinada situação e não estamos realmente presentes?

Quase sempre!

Andamos muito distraídos e isso tem nos afastado de vivermos a realidade das nossas vidas! Por isso, sempre que percebo minha distração em relação a vida e a mim mesmo, eu busco realizar alguma atividade de atenção plena (mindfulness).

Uma delas é ir andando para o trabalho.

O legal de ir andando é que você pode explorar o caminho.

Geralmente eu caminho por 50 minutos e durante o trajeto eu me conecto com tudo que está em minha volta e aguço minha percepção sobre a vida.

Quanto mais conectado com o presente eu puder estar, menos barulhenta ficará a minha mente e isso me dá um grande alívio.

O zelador

Ao sair de casa, recebi um primeiro bom dia do zelador do prédio vizinho (não sei o nome dele, mas vou me aventurar a perguntar da próxima vez). Não me lembro de um dia em que ele não estava lá. Sempre feliz, na porta do prédio, saudando todos que por ali passam.

Isso já me fez refletir sobre a importância da cortesia.

O quanto um gesto educado impacta o nosso estado de espírito?

Retribui sua gentileza com a minha gentileza e segui a minha jornada, determinado a perceber o máximo de detalhes do caminho.

A casa a venda

Foi quanto lembrei que havia uma casa a venda por ali, que minha esposa falara uns dias antes.

Moro em um apartamento, um ótimo apartamento. Mas adoro casas e sempre procuro despretensiosamente alguma que esteja a venda. Quem sabe um dia ela me encontre como comprador.

Achei uma casa do lado direito do meu caminho, bem no lugar onde ela sinalizara, mas as características da casa não correspondiam com as informadas por Ela.

Busco uma casa pequena com lote grande. Para ter espaço de plantar, correr, deitar, ter cachorro… Aquela só tinha casa, não tinha lote. Preciso perguntar a Carina se era aquela mesmo.

A banca de revista

Andando mais um pouco, encontrei uma banca de revista que não tinha revista… Sempre que passava por lá eu tinha vontade de perguntar sobre alguma revista mas nunca priorizava essa escolha. Escolhia continuar para chegar mais rápido. Às vezes, parar na beira da estrada não atrasa tanto assim a chegada.

Parei e perguntei:

– Você tem a Vida Simples deste mês.

Ela fez uma careta e disse:

– Não… a propósito, o que é isso?

-É uma revista.

– Ahhhhhh não vendo revistas… estou mais para uma papelaria.

– Pensei que fosse uma banca, pois tem vários álbuns da Copa expostos.

– Pois é, mas não tenho revistas.

A primeira praça

Continuei meu caminho…

Resolvi mudar o trajeto que sempre fazia, optando por passar pelo meio da praça. Uma praça que sempre via de longe mas que nunca havia passado por ela. Uma praça com muitas árvores altas. Não havia ninguém ali, além de mim. Faria Lima era o nome da praça. Parei e li a placa que trazia algumas informações sobre a praça. Foi quando descobri que Faria Lima foi prefeito de São Paulo e que ele havia sido responsável pela inauguração da Avenida 23 de maio. Achei interessante!

Segui…

Avenida Presidente Kenedy

Cheguei até a avenida. Por mais movimentada que seja, ela é muito bem cuidada e tem flores pelo caminho. O sol estava brilhante e o céu estava azul. Foi uma caminhada deliciosa percebendo as pessoas e as plantas que estavam no meu caminho.

Tinham flores lindas, principalmente bougainville. Adoro bougainville! Até toquei na planta para exercitar minha atenção plena através do tato.

ate ção plena

Havia também um meio fio que separava a pista de caminhada dos jardins. Intuitivamente decidi me equilibrar neles como fazia quando criança. Uma atividades de atenção mais que plena!

Cruzei o semáforo que passo todas as vezes que vou de carro e percebi uma coisa incrível.

“Como as pessoas estavam ansiosas para a abertura do semáforo para os carros.”

Elas aceleravam o motor do carro, olhavam para o outro carro, atentos a qualquer mudança do vermelho para o verde. Demorou. Deu até tempo de eu passar sem precisar acelerar os passos.

Aí fiquei pensando, será que eu fico assim também?

Certamente!

Vou perceber isso da próxima vez que passar por ali de carro.

Os namorados

Saí da avenida e iniciei meu desbravamento por dentro do bairro. Já tinha meu trajeto traçado na mente. Só estava cumprindo. E como se surgisse do nada, apareceu na minha frente um lindo casal de namorados. Eles deviam ter mais de 60… lindos, de mãos dadas.

Adoro mãos dadas. Carpinejar diz: Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto.

Penso assim. Esse inclusive é um dos pactos que temos (eu e a Carina).

Quero ser capaz de andar de mãos dadas até o dia da minha última partida.

Fiquei encantado a tal ponto que invadi a intimidade daquele casal. Um verdadeiro paparazzo.

A casa antiga

Aí passei pelo casal e me deparei com uma casa antiga. Eu sou viciado em casas antigas. Amo. Adoro tirar fotos, pensar na história, em quem passou por lá. Eu simplesmente me lembro da minha bisavó que morava em Uberaba.

Não sei porque mas sempre me lembro da casa dela, que era antiga. O chão era de cimento queimado e ela sempre pintava de vermelho e o encerava. Adorava brincar ali pois escorregava com facilidade. Ela tinha uma plantação de bucha vegetal no quintal. 

Chamou-me a atenção o fato de que aquela casa estava entre prédios gigantes e modernos.

Até quando durará aquela construção? Espero que para sempre…

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O cemitério

Sim eu passei no cemitério e não resisti, entrei. Andei pelos túmulos e li os nomes das famílias que enterraram seus entes queridos ali. Estava silencioso. O sol brilhava. Não haviam velas, só flores. Em silêncio caminhei por entre os corredores.

 

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Segui…

Loja de biscoitos

Tem um loja de biscoitos nesse caminho que é simplesmente divina. Passei direto, parei, voltei e entrei.  Enebriado por aquele cheiro maravilhoso, a atendente me apresentou suas doçuras. Dona do Doce é o nome da loja. Faço questão de compartilhar aquilo que vale a pena. Não levei nada, prometi voltar e não voltei. Que arrependimento!

Não teremos biscoitos da Dona do Doce!

Uma árvore cheirosa

No caminho tinha uma árvore cheirosa. Ela tem cheiro da minha infância, mas eu não sei qual árvore que é. Acho que é Dama da Noite. Talvez um dia passe por lá com alguém mais sabedor de plantas do que eu e descubra de quem é aquele cheiro maravilhoso.

Confesso que não resisti, então parei e senti um pouco mais daquele perfume. Atenção plena se fortalece quando você instiga os seus sentidos, como o olfato. 

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A banca de revistas

Antes de chegar no Instituto, passei na banca de revistas. Quanto tempo você não entra em uma?

Hoje tudo é tão tecnológico que se perdeu o tesão de folhear os papeis de um jornal ou de uma revista. Então foi o que fiz, folheei as folhas de uma revista. Vida simples, aquela da primeira banca de revistas que não tinham revistas. Agora sim, achei a revista que eu queria.atenção plena

A capa dela diz: Seja Você Mesmo. Amei!!!

Pensei… não terei tempo de le-la quando chegar no curso, então teria que mudar o meu caminho para um último lugar antes de iniciar a minha rotina. O Segredo da Felicidade. Daniel, o que é isso? Esse é o café que eu sempre posto fazendo alguma coisa. É a extensão do meu escritório. Adoro trabalhar lá. Não só pelo café que é especial mas também pelos donos/amigos Marcelo e Milene.

Precisava de um café coado para desbravar pelo menos algumas folhas da minha nova revista. O que meu filho valorizava no álbum da copa eu valorizava naquela revista! Eu queria abrir a revista, sentir suas páginas, o seu cheiro. Ler as primeiras páginas já me satisfaria. Acompanhado de um café então…

Li as primeiras páginas, despedi-me e fui para a escola.

Depois de fortalecer minha atenção plena, estava pronto para o dia intenso que eu teria pela frente. Já sabia que ele acabaria no mínimo às 3 da manhã, o que de fato se concretizou com a gravação que me fez deitar na cama as 4. A Carina nem me viu. Eu cheguei, tomei um banho, deitei ao lado dela e encostei nos seus pés.

Quando nos deitamos, nossas mãos são nossos pés, não desgrudamos nem para coçar o rosto.

E assim finalizei o meu dia. Só faltou um detalhe… o restante do dia na escola. Mas essa parte você já conhece.

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